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	<title>Sociedade Internacional de Psicanálise de São Paulo</title>
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	<description>Seja bem vindo a maior Sociedade Psicanalítica do Brasil!</description>
	<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 22:45:59 +0000</pubDate>
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		<title>Jacques Lacan</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Dicionário de Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[Jacques-Marie Émile Lacan (Paris, 13 de abril de 1901 — Paris, 9 de setembro de 1981) foi um psicanalista francês.
Formado em Medicina, passou da neurologia à psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado, propõe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Marie Émile Lacan (Paris, 13 de abril de 1901 — Paris, 9 de setembro de 1981) foi um psicanalista francês.</p>
<p>Formado em Medicina, passou da neurologia à psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da lingüística de Saussure (e posteriormente de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é primordialmente oral, dando-se através de seminários e conferências. Em 1966 foi publicada uma coletânea de 34 artigos e conferências, os Écrits (Escritos). A partir de 1973 inicia-se a publicação de seus 26 seminários, sob o título Le Séminaire (O Seminário).</p>
<p>Pensamento<br />
Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor, ódio, agressividade. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise.</p>
<p>Esse registro é o do Simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Lévi-Strauss afirmava que &#8220;os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado”, no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito, que só se constitui através deste - &#8220;o inconsciente é o discurso do Outro&#8221;, &#8220;o desejo é o desejo do Outro&#8221;.</p>
<p>O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e de relatos de sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como &#8220;formações do inconsciente&#8221;. A isto se refere o aforismo lacaniano &#8220;o inconsciente é estruturado como uma linguagem&#8221;.</p>
<p>O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta, através do Complexo de Castração, operador do Complexo de Édipo. Para Lacan, &#8220;a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa&#8221;. Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss, ou seja, da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos, as mulheres. O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana, a falta possibilitando a deriva do desejo, desejo enquanto metonímia. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos, o Nome-do-Pai e o Falo. Para operar com este campo, cria seus Matemas.</p>
<p>É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. Em sua tópica de três registros, Real, Simbólico e Imaginário, RSI, ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização, &#8220;o real é o impossível&#8221;, &#8220;não cessa de não se inscrever&#8221;. Seu pensamento sobre o Real deriva primeiramente de três fontes: a ciência do real, de Meyerson, da Heterologia, de Bataille, e do conceito de realidade psíquica, de Freud. O Real toca naquilo que no sujeito é o &#8220;improdutivo&#8221;, resto inassimilável, sua &#8220;parte maldita&#8221;, o gozo, já que é &#8220;aquilo que não serve para nada&#8221;. Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro, Lacan envereda pela Topologia, pelo Nó Borromeano, revalorizando a escrita, constrói uma Lógica da Sexuação (&#8221;não há relação sexual&#8221;, &#8220;A Mulher não existe&#8221;). Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud, Lacan considera o Real, junto com o Objeto a (&#8221;objeto ausente&#8221;), suas criações.<br />
[editar] Cronologia<br />
1901: Nasce em Paris, no dia 13 de abril, Jacques-Marie Émile Lacan, primeiro filho de uma próspera família católica.<br />
1907: Nascimento de seu irmão, Marc-Marie, que mais tarde entrará para a ordem dos beneditinos como o nome de Marc-François.<br />
1919: Matricula-se na faculdade de medicina. Paralelamente estuda literatura e filosofia, aproximando-se dos surrealistas.<br />
1928: Trabalha como interno da Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia, dirigida por Gaëtan Gatian Clérambault, que mais tarde reconhecerá como seu único mestre na psiquiatria.<br />
1931: Após examinar Marguerite Pantaine, que havia tentado assassinar a atriz Huguette Duflos, escreve sobre o episódio (conhecido como &#8220;Caso Aimée&#8221;) uma monografia que está na gênese de sua tese de doutorado.<br />
1932: Inicia sua análise com Rudolf Loewenstein. Defende a sua tese de doutorado, Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade.<br />
1934: Casa-se com Marie-Louise Blondin, com quem terá três filhos. Caroline (1937), Thibault (1939) e Sybille (1940).<br />
1936: Sua comunicação sobre o estádio do espelho, durante congresso da Associação Internacional de Psicanálise (IPA) em Marienbad, é interrompida no meio por Ernest Jones, discípulo e biógrafo de Freud.<br />
1938: Inicia relações com Sylvia Bataille, ex-mulher do escritor e filósofo Georges Bataille. Torna-se membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP).<br />
1941: Separa-se de Marie-Louise. Nasce Judith Sophie, filha de Lacan com Sylvia.<br />
1951: Sua técnica de sessões curtas gera controvérsias na SPP. Dá início aos Seminários, uma série de apresentações orais que constituirão o núcleo de seu trabalho teórico.<br />
1953: Em meio à crise na SPP, faz conferências fundamentais como &#8220;O mito individual do neurótico&#8221; (em que utiliza pela primeira vez a expressão Nome do Pai), &#8220;O real, o simbólico e o imaginário&#8221; (que coloca suas teorias sob o signo do &#8220;retorno a Freud&#8221;) e &#8220;Função e campo da palavra e da linguagem em psicanálise&#8221; (pronunciada em Roma). Deixa a SPP junto com Daniel Lagache, Françoise Dolto e outros 40 analistas. Funda a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP). Realiza o seminário Os escritos técnicos de Freud, primeiro a ser registrado por estenotipista, possibilitando posterior publicação.<br />
1963: A IPA admite a filiação da SFP.<br />
1964: Lacan funda a Escola Freudiana de Paris (EFP) com antigos alunos como Françoise Dolto, Maud e Octave Mannoni, Serge Leclaire, Moustapha Safouan e François Perrier.<br />
1966: Publicação de Escritos e criação da coleção Campo Freudiano, dirigida por Lacan.<br />
1967: Propõe a criação do &#8220;passe&#8221;, dispositivo regulador da formação do analista.<br />
1968: Lançamento da revista Scilicet, do Campo Freudiano.<br />
1973: Publicação da transcrição do Seminário XI, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, realizado em 1964. A partir daí, os seminários passam a ser editados segundo esse procedimento. Caroline morre num acidente de automóvel.<br />
1975: Lançamento de Ornicar?, boletim do Campo Freudiano.<br />
1980: Anuncia a dissolução da EFP e funda em outubro a Escola da Causa Freudiana.<br />
1981: Morre em Paris no dia 09 de setembro.</p>
<p>[editar] O Seminário<br />
Seminário 1 - “Os escritos técnicos de Freud” (1953-54)<br />
Seminário 2 - “O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise” (1954-55)<br />
Seminário 3 - “As psicoses” (1955-56)<br />
Seminário 4 - “A relação de objeto” (1956-57)<br />
Seminário 5 - “As formações do inconsciente” (1957-58)<br />
Seminário 6 - “Les désir et son interprétation” (1958-59)<br />
Seminário 7 - “A ética da psicanálise” (1959-60)<br />
Seminário 8 - “A transferência” (1960-61)<br />
Seminário 9 - “L’identification” (1961-62)<br />
Seminário 10 - “A Angústia” (1962-63)<br />
Seminário 11 - “Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise” (1963-64)<br />
Seminário 12 - “Problèmes cruciaux pour la psychanalyse” (1964-65)<br />
Seminário 13 - “L’objet de la psychanalyse” (1965-66)<br />
Seminário 14 - “La logique du fantasme” (1966-67)<br />
Seminário 15 - “L’acte psychanalytique” (1967-68)<br />
Seminário 16 - “De um Outro ao outro” (1968-69)<br />
Seminário 17 - “O avesso da psicanálise” (1969-70)<br />
Seminário 18 - “D’un discours qui ne serait pás du semblant” (1970-71)<br />
Seminário 19 - “&#8230;Ou pire” (1971-72)<br />
Seminário 20 - “Mais, ainda” (1972-73)<br />
Seminário 21 - “Les non-dupes errent” (1973-74)<br />
Seminário 22 - “R.S.I.” (1974-75)<br />
Seminário 23 - “O Sinthoma” (1975-76)<br />
Seminário 24 - “L’insu que sait de l’une bévue s’aile à mourre” (1976-77)<br />
Seminário 25 - “Le moment de conclure” (1977-78)<br />
Seminário 26 - “La topologie et le temps” (1978-79)</p>
<p>[editar] Escritos<br />
Abertura desta coletânea<br />
O seminário sobre &#8220;A carta roubada&#8221;<br />
De nossos antecedentes<br />
Para-além do &#8220;Princípio de realidade&#8221;<br />
O estádio do espelho como formador da função do eu<br />
A agressividade em psicanálise<br />
Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia<br />
Formulações sobre a causalidade psíquica<br />
O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada<br />
Intervenção sobre a transferência<br />
Do sujeito enfim em questão<br />
Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise<br />
Variantes do tratamento-padrão<br />
De um desígnio<br />
Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a &#8221; Verneinung&#8221; de Freud<br />
Resposta ao comentário de Jean Hyppolite sobre a &#8221; Verneinung&#8221; de Freud<br />
A coisa freudiana<br />
A psicanálise e seu ensino<br />
Situação da psicanálise e formação do psicanalista em 1956<br />
A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud<br />
De uma quesiao preliminar a todo tratamento possível da psicose<br />
A direção do tratamento e os princípios de seu poder<br />
Observação sobre o relatório de Daniel Lagache: &#8220;Psicanálise e estrutura da personalidade&#8221;<br />
A significação do falo<br />
À memória de Ernest Jones: Sobre sua teoria do simbolismo<br />
De um silabário a posteriori<br />
Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina<br />
Juventude de Gide ou a letra e o desejo<br />
Kant com Sade<br />
Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano<br />
Posição do inconsciente<br />
Do &#8220;Trieb&#8221; de Freud e do desejo do psicanalista<br />
A ciência e a verdade<br />
Comentário falado sobre a &#8220;Verneinung&#8221; de Freud, por Jean Hyppolite<br />
A Metáfora do Sujeito</p>
<p>[editar] Bibliografia<br />
LACAN, Jacques</p>
<p>Tese</p>
<p>Da psicose paranóica em suas relações com a Personalidade. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1987<br />
Coletâneas</p>
<p>Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. 937 p.<br />
Outros Escritos”. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003<br />
Escritos. São Paulo, Perspectiva, 1978 (versão parcial)<br />
Shakespeare, Duras, Wedekind, Joyce. Lisboa: Assírio &amp; Alvim, 1989. &#8220;Hamlet por Lacan&#8221; ; &#8220;Homenagem a Marguerite Duras&#8221;, ; &#8220;O despertar da primavera&#8221; (1974), ; &#8220;Joyce o sintoma&#8221;,<br />
Meu Ensino. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2006 • Conferências: &#8220;Lugar, origem e fim do meu ensino&#8221;, &#8220;Meu ensino, sua natureza e seus fins&#8221;, &#8220;Então, vocês terão escutado Lacan&#8221;<br />
Nomes-do-Pai - Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2005.Conferências:&#8221;O simbólico, o imaginário e o real&#8221; e &#8220;Introdução aos Nomes-do-Pai&#8221;<br />
Seminários publicados</p>
<p>O Seminário – Livro 1 – Os Escritos Técnicos de Freud. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1979<br />
O Seminário – Livro 2 - O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1985.<br />
O Seminário – Livro 3 - As Psicoses, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit. 1985.<br />
O Seminário – Livro 4 - A Relação de Objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995.<br />
O Seminário – Livro 5 - As formações do inconsciente, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Edit. 1999<br />
O Seminário – Livro 7 - A ética da psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit. 1991.<br />
O Seminário – Livro 8 - A transferência, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit. 1992.<br />
O Seminário - Livro 10 - A Angústia ,Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit., 2005<br />
O Seminário – Livro 11 - Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise, São Paulo, Jorge Zahar Editor, 1979.<br />
O Seminário - Livro 16 - De um Outro ao outro, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit., 2008.<br />
O Seminário – Livro 17 - O Avesso da Psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1992.<br />
O Seminário – Livro 20 - Mais, Ainda. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 1982.<br />
O Seminário - Livro 23 - O sinthoma. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 2007<br />
Conferências, aulas de seminários, artigos</p>
<p>O mito individual do neurótico: Seminário 0 [O Homem dos ratos], Lisboa: Assírio &amp; Alvim, 1987. 76 p. , (O homem dos ratos)<br />
Televisão, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993<br />
Hamlet, por Lacan, Campinas, São.Paulo, Escuta Editora / Liubliú Livraria Editora / UNICAMP, 1986<br />
Os complexos familiares na formação do indivíduo: ensaio de análise de uma função em psicologia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1997<br />
Triunfo da Religião - Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2005<br />
LACAN, Jacques et al.</p>
<p>A querela dos diagnósticos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989, Artigo: &#8220;A Psiquiatria Inglesa e a Guerra&#8221;</p>
<p>[editar] Referências<br />
Obras de caráter introdutório</p>
<p>Meu Ensino - Jacques Lacan, Jorge Zahar Editor<br />
Lacan - Gérard Miller, (org.),Jorge Zahar Editor<br />
Lacan - Alain Vanier, Estação Liberdade<br />
Percurso de Lacan, uma introdução - Jacques-Alain Miller, Jorge Zahar Editor<br />
Lacan,O Grande Freudiano - de Marco A. Coutinho Jorge e Nadiá P. Ferreira, Jorge Zahar Editor<br />
Cinco lições sobre a teoria de Jacques Lacan - J.-D. Nasio, Jorge Zahar Editor<br />
A negação da falta, 5 seminários sobre Lacan para analistas kleinianos - Marcio Peter de Souza Leite, Relume-Dumará<br />
Jacques Lacan, uma biografia intelectual - Oscar Cesaroto e Marcio Peter de Souza Leite, Iluminuras<br />
Introdução à leitura de Lacan - Oscar Masotta, Papirus<br />
Lacan, a trajetória de seu ensino - Marcelle Marini, Artes Médicas<br />
Revista Viver Mente&amp;Cérebro - Edição Especial, Coleção Memórias da psicanálise, nº 4.</p>
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		<title>Carl Gustav Jung</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:20:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Dicionário de Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[Carl Gustav Jung (Kesswil, 26 de julho de 1875 - Küsnacht, 6 de junho de 1961) foi um psiquiatra suíço.
Vida
Juventude
Os assuntos com que Jung ocupou-se surgiram em parte do fundo pessoal que é vividamente descrito em sua autobiografia, &#8220;Memórias, Sonhos, Reflexões&#8221; (1961). Ao longo de sua vida Jung experimentou sonhos periódicos e visões com notáveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carl Gustav Jung (Kesswil, 26 de julho de 1875 - Küsnacht, 6 de junho de 1961) foi um psiquiatra suíço.</p>
<p>Vida</p>
<p>Juventude<br />
Os assuntos com que Jung ocupou-se surgiram em parte do fundo pessoal que é vividamente descrito em sua autobiografia, &#8220;Memórias, Sonhos, Reflexões&#8221; (1961). Ao longo de sua vida Jung experimentou sonhos periódicos e visões com notáveis características mitológicas e religiosas, os quais despertaram o interesse por mitos, sonhos e a psicologia da religião. Ao lado destas experiências, certos fenômenos parapsicológicos emergiam, sempre para lhe redobrar o espanto e o questionamento.</p>
<p>Por muitos anos Jung sentiu possuir duas personalidades separadas: um ego público, exterior, que era envolvido com o mundo familiar, e um eu interno, secreto, que tinha uma proximidade especial para com Deus. Ele reconhecia ter herdado isso de sua mãe, que tinha a notável capacidade de &#8220;ver homens e coisas tais como são&#8221;. A interação entre esses egos foi o tema central da sua vida pessoal e contribuiu mais tarde para a sua ênfase no esforço do indivíduo para integração e inteireza.</p>
<p>O pai, um reverendo, já deixou-lhe como herança uma fé cega que se mantinha a muito custo com o sacrifício da compreensão. A tarefa do filho seria responder a ele com uma fé renovada, baseada justamente no conhecimento tão rejeitado. Além disso, Jung viria a usar as escrituras como referência para a experiência interior de Deus, não como dogmas estáticos à espera de devoção muda, castradores do desenvolvimento pessoal. Ele lamentava que à religião faltasse o empirismo, que alimentaria a sede da personalidade n.º 1, e que às ciências naturais, que também tanto o fascinavam devido ao envolvimento com a realidade concreta, faltasse o significado, que saciaria a personalidade n.º 2. Os dois aspectos, religião e ciência, não se tocavam, daí sua constante insatisfação, devido ao desencontro das duas instâncias interiores. E foi dessa tentativa de saciar tanto um aspecto quanto ao outro, de fazer justiça ao ser como um todo, que decidiu formar-se em psiquiatria: &#8220;Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dados espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se, enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna realidade&#8221;.</p>
<p>Ao longo da sua juventude interessou-se por filosofia e por literatura, especialmente pelas obras de Pitágoras, Empédocles, Heráclito, Platão, Kant e Goethe. Uma das suas maiores revelações seria a obra de Schopenhauer. Jung concordava com o irracionalismo que este autor concedia à natureza humana, embora discordasse das soluções por ele apresentadas. [1]<br />
Primeiros estudos<br />
Já estudante de medicina, decide dedicar-se à, então obscura, especialidade de psiquiatria, após a leitura ocasional de um livro do psiquiatra Kraff-Ebbing. Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Burgholzli, em Zurique, então dirigida pelo psiquiatra Eugen Bleuler, famoso pela sua concepção de esquizofrenia.</p>
<p>Seguindo o seu treino prático na clínica, ele conduziu estudos com a associação de palavras. Já nessa época Jung propunha uma atitude humanista frente aos pacientes. O médico deveria &#8220;propor perguntas que digam respeito ao homem em sua totalidade e não limitar-se apenas aos sintomas&#8221;. Desde cedo ele já adiantava a idéia do que hoje está ganhando força em todos os campos com o nome de &#8220;Holismo&#8221;, o ponto de vista do homem integral. A seus olhos &#8220;diante do paciente só existe a compreensão individual&#8221;. Por isso evitava generalizar um método, uma panacéia para um determinado tipo de anomalia psíquica. Cada encontro é único e, sendo assim, não pode incorrer em qualquer tipo de padronização.<br />
Encontro com Sigmund Freud<br />
Em 1902 deslocou-se a Paris onde estudou com Pierre Janet, regressando no ano seguinte ao hospital de Burgholzli onde assumiu um cargo de chefia e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que implementou o seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico. Neste interim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939). Jung viu em Freud um companheiro para desbravar os caminhos da mente. Enviou-lhe copias de seus trabalhos sobre a existência do inconsciente, confirmando concepções freudianas de recalque e repressão. Ambos encantaram-se um com o outro, principalmente porque os dois desenvolviam trabalhos inéditos em medicina e psiquiatria.</p>
<p>A partir de então Freud e Jung passaram a se corresponder (359 cartas que posteriormente foram publicadas entre 1906 a 1913). O primeiro encontro entre eles, em em 27 de fevereiro de 1907, transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. Depois deste encontro estabeleceram uma amizade de aproximadamente sete anos, durante a qual trocavam informações sobre seus sonhos, análises, trocavam confidências, discutiam casos clínicos.</p>
<p>Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável. Seria nos anos 30 do século XX que esta divergência atingiria o auge. Se por um lado os livros de Freud eram proibidos e queimados publicamente pelos Nazistas, sendo Freud obrigado a deixar Viena pouco depois da anexação da Áustria, doente, nos seus 80 anos, para se dirigir ao exílio em Londres enquanto que quatro irmãs suas não foram autorizadas a deixar a Áustria, tendo perecido no Holocausto nos campos de concentração de Auschwitz e de Thereseinstadt, por seu lado Carl Jung tornar-se-ia neste mesmo período uma das faces mais visíveis da psiquiatria &#8220;alemã&#8221; da época.<br />
Confronto com o inconsciente<br />
Após a separação de Freud, Jung sentiu o chão desmoronar-se sob os pés. O sentido da sua vida ficou em primeiro plano. Seguiu-se uma série de sonhos e visões que forneceram material para o trabalho de toda uma vida. Dir-se-ia que se ele não houvesse se empenhado na integração de todo aquele material que jorrou qual lava derretida, teria fatalmente sucumbido a uma psicose. Mas algo nele o impelia a ir adiante na compreensão de tudo o que se originava naturalmente de seu inconsciente. Em suas palavras, &#8220;Os anos durante os quais me detive nessas imagens interiores constituíram a época mais importante da minha vida e neles todas as coisas essenciais se decidiram. (&#8230;) Toda a minha atividade ulterior consistiu em elaborar o que jorrava do inconsciente naqueles anos (&#8230;)&#8221;.</p>
<p>Foi durante essa fase de confronto com o inconsciente que ele desenvolveu o que chamou de &#8220;imaginação ativa&#8221;, um método de interação com o inconsciente onde este se investe espontaneamente de várias personificações (pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, lugares, acontecimentos, etc.). Na imaginação ativa interagimos ativamente com elas, isto é, discordando, quando for o caso, opinando, questionando e até tomando providências com relação ao que é tratado, isso tudo pela imaginação. Ela difere da fantasia passiva porque nesta não atuamos no quadro mental, de forma a participarmos do drama vivenciado, mas apenas nos contentamos em assistir o desenrolar do roteiro desconhecido. Pela imaginação ativa existe não só a possibilidade de compreensão do inconsciente, mas também de interação com este, de forma que o transformamos e somos transformados no processo. Um personagem pode nos fazer entender falando explicitamente do motivo de, por exemplo, estarmos com insônia. Esse enfoque trata a psique como uma realidade em si, de forma tão literal interiormente, quanto uma maçã nos é real exteriormente, ao contrário de Freud que insistia em substituir uma determinada imagem por outra de cunho sexual.<br />
Polêmicas sobre nazismo<br />
Carl Jung, que alguns acham ter sido um simpatizante nazista, assumiu em 1933, ano da chegada ao poder de Adolf Hitler, a presidência da &#8220;Sociedade Médica Internacional Geral para a Psicoterapia&#8221;, que contou como administrador, entre outros, um sobrinho de Hermann Göring. No início de 1934, num artigo &#8220;Sobre a situação actual da psicoterapia&#8221;, Jung afirma que o Judeu, como nómade, não pode jamais criar a sua cultura própria; para desenvolver os seus instintos e talentos tem de apoiar-se em um &#8220;povo anfitrião mais ou menos civilizado&#8221;. Carl Jung viria mais tarde a deixar aquela organização.</p>
<p>Sejam examinados os fatos. O presidente da Sociedade era Ernst Kretschmer. Quando Hitler tomou o poder, Kretschmer deixou a presidência e os membros da Sociedade, compreensivelmente alarmados, dada a situação da Alemanha, pediram insistentemente a Jung que aceitasse a presidência. Sua autoridade cientifica e sua condição de suíço representavam verdadeira tábua de salvação. &#8220;Deveria eu, perguntou Jung a seus acusadores, na atitude de neutro prudente retirar-me para a segurança do lado de cá da fronteira e lavar as mãos em inocência, ou deveria segundo estava bem consciente arriscar minha pele e expor-me a inevitáveis malentendidos, aos quais não poderia escapar todo aquele que, por força de premente necessidade, tivesse de entrar em contato com os poderes políticos existentes na Alemanha&#8221;? Jung decidiu correr os riscos que previra. Sob a presidência de Jung, a Sociedade Médica Internacional de Psicoterapia conseguiu realizar dois congressos fora da Alemanha: um, em Copenhague (1937) e outro em Oxford (1938). Decerto esses encontros, noutros paises, representaram verdadeiros respiradouros para muitos cientistas alemães (Silveira, 1981).</p>
<p>Jung interpretou o nacional socialismo como fenômeno patológico. Uma irrupção do inconsciente coletivo. &#8220;Wotan” havia tomado posse da alma do povo alemão. E quem é Wotan? O deus pagão dos germânicos, &#8220;um deus das tempestades e da efervescência, desencadeia paixões e apetites combativos&#8221;. Num ensaio publicado em 1936, Jung traça o paralelo entre Wotan redivivo e o fenômeno nazista. Wotan é uma personificação de forças psíquicas corresponde a &#8220;uma qualidade, um caráter fundamental da alma alemã, um &#8220;fator&#8221; psíquico de natureza irracional, um ciclone que anula e varre para longe a zona calma onde reina a cultura&#8221;. Os fatores econômicos e políticos pareceram a Jung insuficientes para explicar todos os espantosos fenômenos que estavam ocorrendo na Alemanha. Wotan reativado no fundo do inconsciente, Wotan invasor, seria explicação mais pertinente. E estávamos apenas em 1936!</p>
<p>O argumento decisivo é, porém, a atitude dos nazistas em relação a Jung. Com o aparecimento do livro PSICOLOGIA e RELIGIÃO, 1940, as autoridades decidiram que toda a sua obra fosse interditada e queimada na Alemanha, bem como nos países ocupados por Hitler.</p>
<p>Outra acusação correlata com a de simpatizante do nazismo, foi a de anti-semita. Seria desde logo estranho admitir que um psicólogo, toda sua vida em busca do fundo psíquico comum a todos os homens (inconsciente coletivo), eternamente existente sob as diferentes peculiaridades individuais, locais, nacionais, raciais, históricas, fosse partidário de discriminações entre esses mesmos homens cuja alma tinha para ele igual estrutura básica. Seria também extravagante que um anti-semita contasse entre seus discípulos mais próximos precisamente homens de origem semita. Basta lembrar alguns nomes. Erich Neumann, judeu alemão. Chefiava o grupo jungueano em Tel Aviv, Israel, onde morreu em 1960, Seus livros são originais aplicações da psicologia jungueana. AS ORIGENS E A HISTÓRIA DA CONSCIÊNCIA, sua obra principal, é prefaciada por Jung. Gerhard Adler, judeu alemão, refugiado do nazismo, um dos mais destacados elementos do grupo jungueano na Inglaterra, co-editor das obras completas de Jung. Adler define esses ataques a Jung como devidos a &#8220;completa ignorância ou, pior, a maldade intencional&#8221;. Roland Cahen, francês de origem semita, é quem chefia a escola jungueana na França e dirige a publicação das obras de Jung em língua francesa. (cf: Silveira, 1981)</p>
<p>Ver: Jung and the Nazis (em inglês),Carl Gustav Jung y el Nacionalsocialismo (em espanhol)</p>
<p>Em alguns documentos, afirmou num comentário de época sobre a cultura judaica que judeus em geral são mais conscientes e diferenciados, enquanto os &#8216;arianos&#8217; comuns permaneceram próximos à barbárie (apud Lomeli, 1999).</p>
<p> <br />
Primeira fileira:Sigmund Freud, Stanley Hall, Carl Gustav Jung; segunda fileira: Abraham Brill, Ernest Jones, Sandor Ferenczi. Universidade de Clark, Massachusetts, Estados Unidos da América, Setembro de 1909A polêmica teórica mantida por Jung com Freud não chegou ao ponto de Jung fazer referências à origem religiosa ou racial de Freud, com vistas a conquistar a simpatia nazista. Nem no artigo de 1929, em que comparava as duas teorias (Gallard, 1994 apud Medweth, 1996), nem no discurso de Jung sobre Freud após a morte deste eminente pensador, em 1939, num momento que poderia ser propício a angariar aquele beneplácito (Medweth, 1996).</p>
<p>Sabe-se também que o obscurantismo atingiu obras de Jung que não interessavam ao regime nazista, tendo sido suprimidas em 1940 várias edições publicadas na Alemanha, e quando da invasão da França a Gestapo destruiu as traduções francesas da obra de Jung. (Medweth, 1996).</p>
<p>As primeiras providências de Jung quando assumiu a Überstaatliche Ärztliche Gesellschaft für Psychotherapie (Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia), acumulando com a entidade suíça, em 1933, foram:</p>
<p>A reformulação dos estatutos, para evitar o controle hegemônico por alguma das sociedades nacionais; como a Sociedade Internacional congregava as Sociedades Nacionais da Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha, Países Baixos, Suécia e Suíça, era importante evitar o domínio isolado de uma delas (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que as demais tivessem participação adequada e dividissem as responsabilidades;<br />
A aceitação na Sociedade Internacional dos membros judeus e antinazistas expulsos da Sociedade da Alemanha (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que eles podiam exercer o seu ofício em outros países e garantir a sua subsistência como profissionais qualificados.<br />
Sobre o editorial nazista publicado na revista editada pela Sociedade Médica Nacional da Alemanha para Psicoterapia, Jung declarou várias vezes que ele não teve ingerência no episódio. Pelas amizades que tinha com muitos representantes das vítimas do preconceito nazista, e pelo conteúdo de sua obra, é extremamente improvável que ele concordasse intelectualmente com o seu conteúdo, sob pena de perder esses relacionamentos.</p>
<p>As acusações sobre Jung, como resultantes de um mal-entendido, teriam sido logo liquidadas de modo definitivo, face a tantas documentações e testemunhos logicamente irrefutáveis. Entretanto, a persistência desses rumores bem indica que por trás deles podem fermentar ainda as divergências entre Jung e o grande judeu Freud, nunca perdoadas pelos discípulos do mestre ortodoxo. (Silveira, 1981)<br />
Reconhecimento internacional<br />
Em 1938, quando Freud saiu de Viena para Londres, a Dra. Iolande Iacobi também emigrou para Zurique, continuou seus estudos com Jung e posteriormente foi uma das fundadoras do Instituto C.G.Jung, tendo escrito a introdução às obras completas de Jung. (McGuire e Hull, 1982, p. 52). Ainda nesse ano, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa.</p>
<p>Em 1939 Jung renunciou à presidência da Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia. Alegou que já tentara por duas vezes anteriores a renúncia, tendo permanecido apenas devido a pedidos dos representantes britânico e neerlandês, somente se retirando quando foram interrompidas as comunicações internacionais e a sua permanência não era mais necessária (apud Loneli).</p>
<p>Em 1946, em cerimônia realizada em Zurique, Winston Churchill pediu que o Dr, Jung compusesse a mesa e se sentasse a seu lado (Lomeli, 1999). Em abril desse ano Ernest Harms publicou um artigo cujo título é “Carl Gustav Jung – Defender of Freud and the Jews” na Psychiatric Quarterly (McGuire e Hull, 1982, p. 70).</p>
<p>Alguns dos seus mais devotados pupilos – Erich Neumann, Gerhard Adler, James Kirsch e Aniela Jaffe – eram Judeus (Medweth, 1996). - Citações: Lomeli, 1999; Medweth, 1996; McGuire, William e Hull, R.F.C. (1982). C.C.Jung: entrevistas e encontros. São Paulo: Cultrix.<br />
 Últimos dias<br />
Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais - a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia, e também, em outros campos como a Arte, a Literatura e a Mitologia.<br />
A psicologia analítica<br />
Anterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver uma sistema teórico que chamou, originalmente, de &#8220;Psicologia dos Complexos&#8221;, mais tarde chamando-a de &#8220;Psicologia Analítica&#8221;, como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos. O contato entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo e a noção básica de &#8220;complexo&#8221;, que foi adotado por Freud.</p>
<p>Utilizando-se do conceito de &#8220;complexos&#8221; e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Em sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos (&#8221;fato&#8221; este negado por correntes de ciências humanas, como por exemplo em antropologia o culturalismo de Franz Boas ), também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos.<br />
Os tipos psicológicos<br />
Jung sentia que a ênfase da psicanálise nos fatores eróticos era um ponto de vista unilateral, uma visão reducionista da motivação humana e do seu comportamento. Ele propôs que a motivação do homem fosse entendida em termos de uma energia de vida criativa geral - a libido - capaz de ser investida em direções diferentes, assumindo grande variedade de formas. A libido corresponderia ao conceito de energia adotado na Física, a qual pode ser interpretada em termos de calor, eletricidade, motricidade, etc. As duas direções principais da libido são conhecidas como extroversão (projetada no mundo exterior, nas outras pessoas e objetos) e introversão (dirigida para dentro do reino das imagens, das idéias, e do inconsciente). As pessoas em quem a primeira tendência direcional predomina são chamadas extrovertidas, e introvertidas aquelas em quem a segunda direção é mais forte.</p>
<p>A sua necessidade em criar uma tipologia psíquica decorreu da questão que nasceu em seu interior acerca de sua divergência com Freud e até com outros profissionais. Ele poderia, assim, ter perguntado: &#8220;Por que divirjo de Freud?&#8221;. A resposta tomou forma na análise que fez das teorias psicológicas de seu mestre e de Adler, também um ex-discípulo de Freud. Para este as neuroses derivavam de problemas com os instintos, para o outro do próprio ego, no seu sentimento de superioridade ou inferioridade. Um, portanto, extrovertido, e o outro introvertido. Jung também propôs que se poderia agrupar as pessoas de acordo com o seu maior desenvolvimento em uma das quatro funções psicológicas: pensamento, sentimento, sensação, ou intuição. Transformações de libido de uma esfera de expressão para outra - por exemplo, de sexualidade para religião - são realizadas por símbolos que são gerados durante a mudança de personalidade.<br />
 A psique objetiva<br />
Jung percebeu que a compreensão da criação de símbolos era crucial para o entendimento da natureza humana. Ele então explorou as correspondências entre os símbolos que surgem nas lutas da vida dos indivíduos e as imagens simbólicas religiosas subjacentes, sistemas mitológicos, e mágicos de muitas culturas e eras. Graças à forte impressão que lhe causou as muitas notáveis semelhanças dos símbolos, apesar de sua origem independente nas pessoas e nas culturas (muitos sonhos e desenhos de seus pacientes de variadas nacionalidades exprimiam temas mitológicos longínquos), foi que ele sugeriu a existência de duas camadas da psique inconsciente: a pessoal e a coletiva. O inconsciente pessoal inclui conteúdos mentais adquiridos durante a vida do indivíduo que foram esquecidos ou reprimidos, enquanto que o inconsciente coletivo é uma estrutura herdada comum a toda a humanidade composta dos arquétipos - predisposições inatas para experimentar e simbolizar situações humanas universais de diferentes maneiras. Há arquétipos que correspondem a várias situações, tais como as relações com os pais, o casamento, o nascimento dos filhos, o confronto com a morte. Uma elaboração altamente derivada destes arquétipos povoa todos os grandes sistemas mitológicos e religiosos do mundo.</p>
<p>Na qualidade de cientista altamente desapegado e desconfiado do favorecimento que se dá a certas verdades, para ele materialismo e ciência não eram sinônimos. O materialismo não passa o culto a um deus exteriormente concreto por meio da razão, um tipo de fé nos princípios limitadores das leis físicas. &#8220;A razão nos impõe limites muito estreitos e apenas nos convida a viver o conhecido&#8221;. Para sermos realmente justos, convém recebermos igualmente os aspectos racionais e irracionais da vida.</p>
<p>Perto do fim da vida Jung também sugeriu que as camadas mais profundas do inconsciente independem das leis de espaço, tempo e causalidade, dando lugar aos fenômenos paranormais como a clarividência e a precognição. A estas correspondências entre acontecimentos interiores e exteriores, por meio de um significado comum, ele deu o nome de sincronicidade. Muitos fatos ocorridos enquanto tratava seus clientes o fizeram crer que os acontecimentos se dispunham &#8220;de tal modo, como se fossem o sonho de uma &#8216;consciência maior e mais abrangente, por nós desconhecida&#8217;&#8221; (Obras Completas Vol. VIII, p. 450). Assim é o caso da paciente que apresentava uma forte resistência à terapia. A monotonia não escapava a nenhum dos dois. Até o dia em que ela lhe relata o sonho com um escaravelho dourado. Mal acabara de contar-lhe a trama quando ouvem uma batida na vidraça. Jung foi ver e era uma espécie de besouro de coloração dourada muito rara naquelas paragens. Daí para diante a análise deslanchou, ocasionando o renascimento daquela personalidade. Besouro e renascimento&#8230; um símbolo egípcio muito antigo&#8230;<br />
Sincronicidade<br />
Esse termo é uma tentativa de encontrar formas de explicação racional para fenômenos que a ciência de então não alcançava, tais como os referidos acima, fenômenos não causais que não podem ser explicados pela razão, porém são significativos para o indivíduo que os experimenta. Para uma abordagem sobre a construção do conceito veja-se Capriotti, Letícia. Jung e sincronicidade: a construção do conceito), e uma explanação sintética e didática de sincronicidade, veja-se Capriotti, Letícia. Jung e sincronicidade: o conceito e suas armadilhas.)</p>
<p>A construção do conceito de sincronicidade surgiu da leitura que Jung fez de um grande número de obras sobre alquimia e o pensamento renascentista. Jung chegou a possuir grande quantidade de textos alquímicos originais, que o levaram também a usar a expressão Unus Mundus em sua autobiografia, e a idéia de Anima Mundi.</p>
<p>Uma interessante análise da contribuição da psicologia profunda de Freud – Jung para a formação do pensamento ocidental, mostrando como Jung tinha preocupações epistemológicas rigorosas pode ser vista em Tarnas. Em função disso, tais fenômenos puderam ser examinados, mas apenas como algo psicológico, e não propriamente da natureza, resultando em algumas distorções interpretativas, em inúmeros sentidos.</p>
<p>A partir da contribuição de Jung, vários desenvolvimentos em diferentes áreas do conhecimento têm ampliado a compreensão da relação entre os processo psíquicos e o mundo exterior. O conceito de inconsciente coletivo encontra ecos na nova física de Bohm e Capra, nos campos morfogenéticos de Sheldrake, nas psicologia profunda e na ecopsicologia norte-americanas.<br />
 Imagens do inconsciente<br />
No Brasil, Jung teve uma conhecida aluna, a Dra. Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Ela escreveu, dentre outros, o livro “Jung: vida e obra”, publicado em primeira edição em 1968.<br />
Jung - Uma resposta ao nosso tempo<br />
Na terapia junguiana, que explora extensivamente os sonhos e fantasias, um diálogo é estabelecido entre a mente consciente e os conteúdos do inconsciente. A doença psíquica é tida como uma conseqüência da separação rígida entre elas. Os pacientes são orientados a ficarem atentos aos significados pessoal e coletivo (arquétipo) inerente aos seus sintomas e dificuldades. Sob condições favoráveis eles poderão ingressar no processo de individuação: uma longa série de transformações psicológicas que culminam na integração de tendências e funções opostas, e na realização da totalidade. Jung trilhou a individuação, pois havia a necessidade imperiosa nele de ir ao inferno e voltar para poder mostrar o caminho da volta àqueles que ficaram perdidos pelo caminho da vida. Tornou-se ele uma resposta sincera e corajosa ao nosso tempo. &#8220;Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der&#8221;.<br />
Breve biografia em tópicos<br />
1875: Nasce na Suíça, a 26 de julho, Carl Gustav Jung, filho de um pastor;</p>
<p>1895 - 1900: Estuda medicina na Universidade da Basiléia;</p>
<p>1900: É assistente de Eugen Bleuler, médico-chefe do Burghölzli (hospital psiquiátrico) em Zurique;</p>
<p>1902: Tese de doutoramento: &#8220;Sobre a psicologia e a patologia dos fenômenos ditos ocultos&#8221;;</p>
<p>1905 - 1909: Chefe de clínica no Burghölzli;</p>
<p>1905 - 1913: Professor na Faculdade de Medicina de Zurique; aulas de psicologia e psiconeuroses;</p>
<p>1907: &#8220;Psicologia da Demência Precoce&#8221;; encontro com Freud;</p>
<p>1908: I Congresso Internacional de Psicanálise;</p>
<p>1909: Abertura de clínica particular;</p>
<p>1910 - 1914: Primeiro presidente da Associação Psicanalítica Internacional;</p>
<p>1913: Jung dá o nome à sua psicologia de &#8220;Psicologia Analítica&#8221;; demissão de seu posto de ensino na Universidade de Zurique;</p>
<p>1914: Conferências em Londres e Aberdeen; é mobilizado para o ser-viço de saúde;</p>
<p>1916: &#8220;Sete Sermões aos Mortos&#8221; e &#8220;A Função Transcendente&#8221;; estudo sobre os gnósticos;</p>
<p>1918 - 1919: Comandante do campo de internação de Soldados ingleses; pintura de mandalas;</p>
<p>1921: &#8220;Tipos Psicológicos&#8221;;</p>
<p>1923: Construção da torre perto do lago de Zurique; Jung trava amizade com Richard Wilhelm (tradutor do &#8220;I Ching - O Livro das Mutações&#8221;);</p>
<p>1924 - 1925: Visita aos índios Pueblo do Novo México (EUA);</p>
<p>1925 - 1926: Expedição a Uganda, ao Quênia, às margens do Nilo; visita aos Elgonys no Monte Elgon;</p>
<p>1928: &#8220;O Eu e o Inconsciente&#8221;;</p>
<p>1929: Comentário de &#8220;O Segredo da Flor de Ouro&#8221;;</p>
<p>1932: Prêmio de literatura em Zurique;</p>
<p>1933: Viagem ao Egito e Palestina;</p>
<p>1934: Presidente da Sociedade Médica Geral para Psicoterapia;</p>
<p>1936: Doutor &#8220;honoris causa em Harvard (Massachussets);</p>
<p>1938: Viagem à Índia, a convite do governo britânico; presidente do Congresso Internacional de Psicoterapia, em Oxford; membro da Real Sociedade de Medicina;</p>
<p>1940: &#8220;Psicologia e Religião&#8221;;</p>
<p>1944: Nomeação para a cátedra de Psicologia da Faculdade de Medicina de Basiléia; &#8220;Psicologia e Alquimia&#8221;;</p>
<p>1945: Doutor &#8220;honoris causa&#8221; da Universidade de Genebra;</p>
<p>1948: Inauguração do Instituto C. G. Jung em Zurique;</p>
<p>1951: &#8220;Aion&#8221;;</p>
<p>1952: &#8220;Sincronicidade&#8221; e &#8220;Resposta a Jó&#8221;;</p>
<p>1955: Morte de sua mulher a 27 de novembro;</p>
<p>1955 - 1956: &#8220;Mysterium Conjunctionis&#8221;;</p>
<p>1957: Começo da redação de &#8220;Memórias, Sonhos e Reflexões&#8221;, com Aniela Jaffé; entrevista na TV para a BBC;</p>
<p>1961: Termina, dez dias antes de morrer, um ensaio para &#8220;O Homem e Seus Símbolos&#8221;; morre a 6 de junho.<br />
Obras<br />
Devido à metodologia usada por Jung, seus escritos costumam ser de leitura difícil e penosa. É recomendável iniciar por algum de seus comentadores, como Nise da Silveira (Jung: vida e obra) e Aniela Jaffe (Memórias, sonhos e reflexões de C. C. Jung). Sobre este, um comentário.</p>
<p>Eis abaixo, a lista das obras de Jung, publicadas em português no Brasil:</p>
<p>A Energia Psíquica.<br />
A Prática da Psicoterapia.<br />
A Vida Simbólica: Escritos Diversos.<br />
Ab-reação, análise dos sonhos, transferência.<br />
Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo.<br />
Cartas de Carl Gustav Jung.<br />
Consideraciones Sobre la Historia Actual (ainda não traduzido para língua portuguesa).<br />
Escritos Diversos.<br />
Estudos Alquímicos.<br />
Estudos Experimentais Vol. II.<br />
Estudos Experimentais.<br />
Estudos Psiquiátricos.<br />
Eu e o Inconsciente.<br />
Freud e a Psicanálise.<br />
Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade.<br />
Memórias, Sonhos e Reflexões. Autobiografia escrita em conjunto com Aniela Jaffé.<br />
Misterium Coniunctionis 1.<br />
Misterium Coniunctionis 2.<br />
Misterium Coniunctionis 3.<br />
O Desenvolvimento da Personalidade.<br />
O Homem e seus Símbolos. Obra para leigos, organizada por Jung e escrita por ele e seus colaboradores, com artigos de Aniella Jaffé, Marie-Louise fon Franz e outros.<br />
O Segredo da Flor de Ouro: Um Livro de Vida Chinesa.<br />
Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.<br />
Presente e Futuro.<br />
Psicologia da Religião Ocidental e Oriental.<br />
Psicologia do Inconsciente.<br />
Psicologia e Alquimia.<br />
Psicologia e Religião Oriental.<br />
Psicologia e Religião.<br />
Símbolo da Transformação na Missa.<br />
Símbolos da Transformação: Análise dos Prelúdios de uma Esquizofrenia.<br />
Sincronicidade.<br />
Tipos Psicológicos.<br />
A natureza da psique.</p>
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		<title>Alfred Adler</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:16:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Dicionário de Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[Alfred Adler (Viena, 7 de fevereiro de 1870 — Aberdeen, 28 de maio de 1937), psicólogo austríaco.
Filho de judeus húngaros, formou-se em medicina, psicologia e filosofia pela Universidade de Viena. Praticou clínica geral antes de se dedicar à psiquiatria. Em 1902 foi trabalhar com Sigmund Freud, realizando pesquisas no campo da psicanálise. Mais tarde, desliga-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alfred Adler (Viena, 7 de fevereiro de 1870 — Aberdeen, 28 de maio de 1937), psicólogo austríaco.</p>
<p>Filho de judeus húngaros, formou-se em medicina, psicologia e filosofia pela Universidade de Viena. Praticou clínica geral antes de se dedicar à psiquiatria. Em 1902 foi trabalhar com Sigmund Freud, realizando pesquisas no campo da psicanálise. Mais tarde, desliga-se dele por considerar o fator sexual superestimado por Freud.</p>
<p>Adler é o fundador da psicologia do desenvolvimento individual. Segundo sua teoria, o meio social e a preocupação contínua do indivíduo em alcançar objetivos preestabelecidos são os determinantes básicos do comportamento humano, o que inclui a sede de poder e a notoriedade. Os complexos de inferioridade, provocados pelo conflito com o envolvimento social, podem traduzir-se numa dinâmica patológica (psicose, neurose), que deve ser tratada de um ponto de vista psicoterapêutico.</p>
<p>Também se ocupou da orientação da criança como método preventivo na psicologia médica. Com o apoio do governo austríaco, abriu centros de orientação infantil em escolas de Viena, Berlim e Munique. Entrevistas públicas de orientação familiar, seguidas de discussões, disseminaram seus métodos e teorias, especialmente entre educadores. Realizou inúmeras conferências na Europa e Estados Unidos. Em 1930, seus esforços para divulgar sua doutrina de interesse social diante do totalitarismo europeu, marcaram-no mais como pregador do que como cientista.</p>
<p>Morreu quando se encontrava em Aberdeen, Escócia, ministrando um curso de psicologia. Merece lugar de destaque no movimento psicanalítico pela importância que deu ao fator da agressividade.</p>
<p>0 falecido Alfred Adler, famoso psicólogo vienense, escreveu um livro intitulado: What Life Should Mean to You. Nesse livro diz: &#8220;E o indivíduo que não está interessado no seu semelhante quem tem as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros.</p>
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		<title>Psicanálise</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:15:14 +0000</pubDate>
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Conceituação
A psicanálise surgiu na década de 1890, com Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Conversando com os pacientes, Freud acreditava que seus problemas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Psicanálise é um método desenvolvido pelo médico neurologista alemão Sigmund Freud, para tratar de distúrbios psíquicos a partir da investigação do inconsciente.</p>
<p>Conceituação<br />
A psicanálise surgiu na década de 1890, com Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Conversando com os pacientes, Freud acreditava que seus problemas se originaram da inaceitação cultural, sendo assim reprimidos seus desejos inconscientes e suas fantasias de natureza sexual. Desde Freud, a psicanálise se desenvolveu de muitas maneiras e, atualmente, há diversas escolas.</p>
<p>O método básico da Psicanálise é a interpretação da transferência e da resistência com a análise da livre associação. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente. Sonhos, esperanças, desejos e fantasias são de interesse, como também as experiências vividas nos primeiros anos de vida em família. Geralmente, o analista simplesmente escuta, fazendo comentários somente quando no seu julgamento profissional visualiza uma crescente oportunidade para que o analisando torne consciente os conteúdos reprimidos que são supostos, a partir de suas associações. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não-julgamento, visando a criar um ambiente seguro.</p>
<p>O conceito de inconsciente fora usado por Leibniz 200 anos antes de Freud, também sendo usado por Hegel para construir sua dialética hegeliana.</p>
<p>A originalidade do conceito de Inconsciente introduzido por Freud deve-se à proposição de uma realidade psíquica, característica dos processos inconscientes. É preciso diferenciar inconsciente, sem consciência, de Inconsciente, conforme elaborado por Freud, que diz respeito a uma instância psíquica basilar na constituição da personalidade.</p>
<p>Muitos colocam a questão de como observar o Inconsciente. Se a Freud se deve o mérito do termo &#8220;inconsciente&#8221;, pode-se perguntar como foi possível a ele, Freud, ter tido acesso a seu inconsciente para poder ter tido a oportunidade de verificar seu mecanismo, já que não é justamente o inconsciente que dá as coordenadas da ação do homem na sua vida diária. É nesse sentido que Freud formulou a expressão Psicopatologia da vida cotidiana. Como observá-la senão pelos efeitos inconscientes?</p>
<p>A pergunta por uma causa ou origem pode ser respondida com uma reflexão sobre a eficácia do inconsciente, eficácia que se dá em um processo temporal que não é cronológico, mas lógico. Não é possível abordar diretamente o Inconsciente, o conhecemos somente por suas formações: atos falhos, sonhos, chistes e sintomas.</p>
<p>Outro ponto a ser levado em conta sobre o inconsciente é que ele introduz na dimensão da consciência uma opacidade. Isto indica um modelo no qual a consciência aparece, não como instituidora de significatividade, mas sim como receptora de toda significação desde o inconsciente. Pode-se prever que a mente inconsciente é um outro &#8220;eu&#8221;, e essa é a grande idéia de que temos no inconsciente uma outra personalidade atuante, em conjuntura com a nossa consciência, mas com liberdade de associação e ação.<br />
Correntes, dissensões e críticas<br />
Diversas dissidências da matriz freudiana foram sendo verificadas ao longo do século XX, tendo a psicanálise encontrado seu apogeu nos anos 50 e 60.</p>
<p>Entre as principais dissensões, destacam-se as de C. G. Jung e Alfred Adler, que participavam da expansão da psicanálise no começo do séc. XX. C. G. Jung, inclusive, foi o primeiro presidente do Instituto Internacional de Psicanálise (IPA), antes de sua renúncia ao cargo e a seguidor das idéias de Freud. Houve mais dissidências importantes como O. Rank, E. Fromm. Mas o mais importante é que, a partir da teoria psicanalítica de Freud, fundou-se uma tradição de pesquisas envolvendo a psicoterapia, o inconsciente e o desenvolvimento da práxis clínica, com uma abordagem puramente psicológica.</p>
<p>Desenvolvimentos como a psicoterapia humanista/existencial, psicoterapia reichiana, dentre diversas e tantas terapias existentes, foram, sem dúvida, influenciadas pela tradição psicanalítica, embora tenham conferido uma visão particular para os conteúdos da psicologia clínica.</p>
<p>O método de interpretar os pacientes e buscar a cura de enfermidades físicas e mentais através de um diálogo sistemático/metodológico com os pacientes foi uma inovação trazida por Freud. Até então, os avanços na área da psicoterapia eram obsoletas e tinham um apelo pela sugestão ou pela terapia com banhos, sangrias e outros métodos antigos no combate às doenças mentais.</p>
<p>Sua contribuição para a Medicina, Psicologia, e outras áreas do conhecimento humano (arte, literatura, Sociologia, Antropologia, etc.) é inegável. O verdadeiro choque moral provocado pelas idéias de Freud serviu para que a humanidade rompesse seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade, e atingisse um maior grau de refinamento e profundidade na busca das verdades psicológicas que ainda estão em expansão.<br />
Centenário<br />
Em 1995, a Psicanálise completou um século como a ciência do Inconsciente e apesar de muitas críticas, ainda se desenvolve nos estudos das enfermidades psíquicas e da dinâmica do inconsciente, com uma forte concentração na prática clínica. Na atualidade, a Psicanálise já nao se limita à prática e tem uma amplitude maior de pesquisa, centrada em outros temas e cenários, desenvolvendo-se como uma ciência psicológica autônoma. Hoje fica muito difícil afirmar se a Psicanálise é uma disciplina da Psicologia ou uma Psicologia própria. De tão longa tradição e corpo teórico-prático, assume-se a seguinte proposição: nem toda Psicanálise é Psicologia, assim como nem toda Psicologia é Psicanálise, pois ambas estão muito misturadas em seu campo de atuação e no nível teórico, que é impossível distinguir perfeitamente tais ciências.</p>
<p>Após Freud, muitos outros psicanalistas contribuiram para o crescimento do corpo teórico da Psicanálise. Das correntes pós-freudianas, pode-se citar as contribuições de Melanie Klein, W. Bion, Anna Freud, J. Lacan e André Green.</p>
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		<title>Psicologia</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:13:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A psicologia (do grego ?????????, transl. psykhologuía, termo derivado das palavras ????, psykhé, &#8220;alma&#8221;, e ?????, lógos, &#8220;palavra&#8221;, &#8220;razão&#8221; ou &#8220;estudo&#8221;) é a ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano e animal (para fins de pesquisa e correlação, na área da psicologia comparada). Neste ponto é necessário uma informação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A psicologia (do grego ?????????, transl. psykhologuía, termo derivado das palavras ????, psykhé, &#8220;alma&#8221;, e ?????, lógos, &#8220;palavra&#8221;, &#8220;razão&#8221; ou &#8220;estudo&#8221;) é a ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano e animal (para fins de pesquisa e correlação, na área da psicologia comparada). Neste ponto é necessário uma informação importantíssima: o corpo e a mente não são separados, quando se fala que o estudo se dá pelo viés da mente e/ou pelo viés do corpo, é necessário informar que essa é uma elaboração teórica, já que existem estudos, com grande comprovação ao longo dos tempos, que mostram a influência de um sobre o outro. Para estes fins, há vários métodos, como a observação, estudos de caso, estudos em neuropsicologia entre outros estudos multidisciplinares. Outro objeto de estudo da psicologia são as personalidades inadaptáveis com comportamentos desviantes, chamados de psicopatologia. Como dito, a partir do pressuposto básico que existe um monismo - e não um dualismo como Descartes apregoou - este ramo do conhecimento tem seus estudos voltados a esse axioma principal. Entre outras atuações que esta ciência permite ao profissional da área, estão a explicação dos mecanismos envolvidos em determinados comportamentos, assim como preveni-los e modifica -los.</p>
<p>A psicologia é uma ciência considerada tanto das áreas sociais, ou humanas, como da área biomédica (por exemplo, a neuropsicologia faz parte deste espectro), assim ela é estudada tanto em métodos quantitativos como em métodos qualitativos. Estes métodos aplicam-se ao estudo dos processos psíquicos, geradores de comportamentos e vice-versa. Os estudos clássicos em psicologia baseavam-se justamente nos comportamentos, que eram diretamente observados, que faziam com que o psicólogo inferisse um processo psíquico; porém, com os avanços das neurociências, na actualidade, também é possível, mesmo que rudimentarmente, estudar os processos psíquicos na sua origem. A introspecção é outro método para chegar aos processos conscientes. Todavia, esta introspecção é um processo que necessita ser acompanhado e guiado por um psicoterapeuta, dada a dificuldade intrínseca que comporta. Isto deve-se ao facto de cada um de nós possuir mecanismos defensivos (que não dependem da nossa vontade) que têm como função impedir o acesso aos produtos do nosso inconsciente como forma de nos proteger da desorganização mental. Existem vários outros métodos desenvolvidos, cada um para estudo de um ou mais processos mentais.</p>
<p>Cabe à psicologia estudar questões ligadas à personalidade, à aprendizagem, à motivação, à memória, à inteligência, ao funcionamento do sistema nervoso, e também à Comunicação Interpessoal, ao desenvolvimento, ao comportamento sexual, à agressividade, ao comportamento em grupo, aos processos psicoterapêuticos, ao sono e ao sonho, ao prazer e à dor, além de todos os outros processos psíquicos e comportamentais não citados.</p>
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		<title>Hipnoterapia</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:12:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Hipnoterapia é o uso terapêutico da hipnose, ou o tratamento de uma doença com o uso de técnicas hipnóticas.
É espécie de psicoterapia, que facilita a sugestão, a reeducação ou a análise por meio da hipnose. O profissional médico que exerce a hipnose é chamado hipniatra. Hipniatria é a hipnose praticada por médicos.
Se a intervenção psiciterapêutica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hipnoterapia é o uso terapêutico da hipnose, ou o tratamento de uma doença com o uso de técnicas hipnóticas.</p>
<p>É espécie de psicoterapia, que facilita a sugestão, a reeducação ou a análise por meio da hipnose. O profissional médico que exerce a hipnose é chamado hipniatra. Hipniatria é a hipnose praticada por médicos.</p>
<p>Se a intervenção psiciterapêutica hipnoassistida tem primordialmente objetivo de análise, fala-se em hipnoanálise.</p>
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		<title>Projeciologia</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:10:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Projeciologia (do latim projectio significa projeção e logos no grego significa tratado) é o ramo, subcampo, ou especialidade de caráter mais prático da conscienciologia, e da psicobiofísica (versão mais abrangente da parapsicologia) que estuda as projeções energéticas da consciência e as projeções da própria consciência para fora do corpo humano, ou seja, das ações da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Projeciologia (do latim projectio significa projeção e logos no grego significa tratado) é o ramo, subcampo, ou especialidade de caráter mais prático da conscienciologia, e da psicobiofísica (versão mais abrangente da parapsicologia) que estuda as projeções energéticas da consciência e as projeções da própria consciência para fora do corpo humano, ou seja, das ações da consciência operando fora do estado de restrição física do cérebro e todo o corpo biológico.</p>
<p>O neologismo projeciologia foi proposto pelo pesquisador Waldo Vieira, em 1979, no livro Projeções da Consciência, uma reunião de relatos de experiências fora do corpo do próprio autor, em forma de diário.</p>
<p>Este fenômeno também é conhecido como: EFC (Experiência Fora-do-Corpo), OBE (Out-of-Body Experience), desdobramento, projeção astral, dentre outras.</p>
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		<title>Holossomática</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:08:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A holossomática é a especialidade da Conscienciologia que estuda o holossoma, o conjunto dos veículos de manifestações, suas funções e aplicações pela consciência (conscin ou consciex). É um subcampo científico da Pensenologia.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A holossomática é a especialidade da Conscienciologia que estuda o holossoma, o conjunto dos veículos de manifestações, suas funções e aplicações pela consciência (conscin ou consciex). É um subcampo científico da Pensenologia.</p>
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		<title>Conscienciologia</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:07:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Conscienciologia é o termo proposto pelo médico e pesquisador brasileiro Waldo Vieira para definir o que seria uma nova ciência dedicada ao estudo da consciência, que, dentre outros termos, é aquilo o que se denomina por ego, alma, espírito, essência, eu, individualidade, personalidade, pessoa, self, ser e sujeito.
Segundo Vieira, a Conscienciologia parte do princípio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conscienciologia é o termo proposto pelo médico e pesquisador brasileiro Waldo Vieira para definir o que seria uma nova ciência dedicada ao estudo da consciência, que, dentre outros termos, é aquilo o que se denomina por ego, alma, espírito, essência, eu, individualidade, personalidade, pessoa, self, ser e sujeito.</p>
<p>Segundo Vieira, a Conscienciologia parte do princípio de que a manifestação da consciência vai além do cérebro físico e que seria independente do corpo humano. Este fato poderia ser verificado, dentre outras maneiras, por meio da experiência fora-do-corpo. Ainda segundo Vieira, a Conscienciologia como ciência não seria restrita ao paradigma newtoniano-cartesiano e aos métodos convencionais de pesquisa científica, mas segue o paradigma consciencial.</p>
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		<title>Inconsciente</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:06:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O inconsciente define um complexo psíquico (conjunto de fatos e processos psíquicos) de natureza praticamente insondável, misteriosa, obscura, de onde brotariam as paixões, o medo, a criatividade e a própria vida e morte.
O conceito de inconsciente de Jung se contrapõe ao conceito de subconsciente ou pré-consciente de Freud. O pré-consciente seria o conjunto de processos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O inconsciente define um complexo psíquico (conjunto de fatos e processos psíquicos) de natureza praticamente insondável, misteriosa, obscura, de onde brotariam as paixões, o medo, a criatividade e a própria vida e morte.</p>
<p>O conceito de inconsciente de Jung se contrapõe ao conceito de subconsciente ou pré-consciente de Freud. O pré-consciente seria o conjunto de processos psíquicos latentes, prontos a emergirem para se tornarem objetos da consciência. Assim, o subconsciente poderia ser explicado pelos conteúdos que fossem aptos a se tornarem conscientes (determinismo psíquico). Já o inconsciente seria uma esfera ainda mais profunda e insondável. Haveria níveis no inconsciente mesmo inatingíveis.</p>
<p>Jung separou o inconsciente pessoal do inconsciente coletivo. Hoje, não existe consenso sobre se realmente existe um inconsciente coletivo, igual ou distribuído igualmente entre todas as culturas e povos. Mas os estudos de mitologia/religião comparada, de todos os povos e de todas as épocas da humanidade, dão fortes indícios e força a esse modelo. Cabe aqui citar um grande nome nessa área, Joseph Campbell, autor do livro The Power of Myth. Seus estudos reforçam o modelo de inconsciente coletivo de Jung.</p>
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		<title>Consciência</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 20:04:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A consciência é uma qualidade da mente, considerando abranger qualificações tais como subjetividade, auto-consciência, sentiência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É um assunto muito pesquisado na filosofia da mente, na psicologia, neurologia, e ciência cognitiva.
 
Representação gráfica de consciência do século XVII.Alguns filósofos dividem consciência em consciência fenomenal, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A consciência é uma qualidade da mente, considerando abranger qualificações tais como subjetividade, auto-consciência, sentiência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É um assunto muito pesquisado na filosofia da mente, na psicologia, neurologia, e ciência cognitiva.</p>
<p> <br />
Representação gráfica de consciência do século XVII.Alguns filósofos dividem consciência em consciência fenomenal, que é a experiência propriamente dita, e consciência de acesso, que é o processamento das coisas que vivenciamos durante a experiência (Block 2004). Consciência fenomenal é o estado de estar ciente, tal como quando dizemos &#8220;estou ciente&#8221; e consciência de acesso se refere a estar ciente de algo, tal como quando dizemos &#8220;estou ciente destas palavras&#8221;.<br />
Consciência é uma qualidade psíquica, isto é, que pertence à esfera da psique humana, por isso diz-se também que ela é um atributo do espírito, da mente, ou do pensamento humano. Ser consciente não é exatamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo e do mundo, para isso, a intuição, a dedução e a indução tomam parte.</p>
<p>Índice [esconder]<br />
1 Consciência - função alta da mente<br />
2 Consciência, autoconsciência e autoconhecimento<br />
3 Definições do senso comum<br />
4 Definições concorrentes<br />
5 Alterações da Consciência<br />
6 Ver também<br />
 <br />
[editar] Consciência - função alta da mente<br />
Função mental de perscrutar o mundo, conforme afirma Steven Pinker, a consciência é a faculdade de segundo momento – ninguém pode ter consciência de alguma coisa (objeto, processo ou situação) no primeiro contato com essa coisa; no máximo se pode referenciá-la com algum registro próximo, o que permite afirmar que a coisa é parecida com essa ou com aquela outra coisa, de domínio.</p>
<p>A consciência (organismo do sistema conhecedor humano), provavelmente, é a estrutura mais complexa que se pode imaginar atualmente.</p>
<p>Na obra A Mente Humana em Raios-x, a consciência é instanciada, tecnicamente, em sete camadas: do nível zero, factual (onde as coisas acontecem), até uma atividade ômega, dois pontos acima do nível que experimentamos hoje (consciência padrão); aquele estado conhecedor que conhece, e que seria alcançado apenas pelo ser humano.</p>
<p>António Damásio, em O Mistério da consciência, divide a consciência em dois tipos: consciência central e consciência ampliada. Inspirados na tese damasiana, entende-se que a faculdade em pauta é constituída com uma espécie de anatomia, que pode ser dividida, didaticamente, em três partes:</p>
<p>dimensão fonte - onde as coisas acontecem de fato, o aqui agora: o meu ato de escrever e dominar o ambiente e os equipamentos dos quais faço uso, o ato do internauta de ler, compreender a leitura e o ambiente que o envolve a todo os instantes, etc. Essa dimensão da consciência não retrocede muito ao passado e, da mesma forma, não avança para o futuro; ela se limita a registrar os atos presentes, com um espaço-tempo (passado/futuro) suficiente para que os momentos (presentes) tenham continuidade.<br />
dimensão processual - amplitude de sistema que abriga expectativas, perspectivas, planos e qualquer registros mental em aberto; aquelas questões que causam ruídos e impulsiona o ser humano à busca de soluções. Esta amplitude de consciência permite observar questões do passado e investigar também um pouco do futuro.<br />
dimensão ampla - região de sistema que, sem ser um dispositivo de memória, alberga os conhecimentos e experiências que uma pessoa incorpora na existência. Todo os conhecimentos do passado e experimentações pela qual o ser atravessou na vida: uma antiga profissão que não se tem mais qualquer habilidade para exercer, guarda registros importantes que servirão como experiência em outras práticas. Qual dimensão processual, este amplitude da consciência permite examinar o passado e avançar no futuro - tudo dentro de limites impostos pelo próprio desenvolvimento mental do indivíduo.<br />
Além da anatomia de constituição, listada acima, a consciência humana também guarda alguns estados:</p>
<p>Condições de consciência (vigília normal, vigília alterada e sono com sonhos), modos de consciência (passivo, ativo e ausente) e focos de consciência (central, periférico e distante).<br />
[editar] Consciência, autoconsciência e autoconhecimento<br />
Manfred Frank (em &#8220;Self-consciousness and Self-knowledge&#8221;, ver bibliografia abaixo) apresenta a relação entre consciência, autoconsciência e autoconhecimento da seguinte maneira:</p>
<p>Consciência pressupõe autoconsciência. Não há como alguém estar consciente de alguma coisa sem estar consciente de estar consciente dessa coisa.<br />
A autoconsciência é pré-reflexiva. Se a autoconsciência fosse o resultado da reflexão, então só teríamos autoconsciência após termos consciência de alguma coisa que fosse dada à reflexão. Mas isso não pode ser o caso, pois, como dissemos antes, consciência pressupõe autoconsciência. Logo, a autoconsciência é anterior à reflexão.<br />
Autoconsciência e consciência são distintas logicamente, mas funcionam de maneira unitária.<br />
O autoconhecimento &#8212; isto é, a consciência reflexiva ou consciência de segunda ordem &#8212; pressupõe a consciência pré-reflexiva, isto é, a autoconsciência.<br />
De acordo com o esquema acima, a autoconsciência é o elemento fundamental da consciência. Sem ela não há consciência nem reflexão sobre a consciência.<br />
Definições do senso comum<br />
Ação do indivíduo ou grupo sem o intuito ou vigilância da área central de consciência.<br />
Conjunto de processos e/ou fatos que atuam na conduta do indivíduo ou construindo a mesma, mas escapam ao âmbito da ferramenta de leitura e interpretação e não podem, por esta área, ser trazidos a custo de nenhum esforço que possa fazer um agente cujo sistema mental não possui o treinamento adequado. Essas atividades, entretanto, costumam aflorar em sonhos, em atos involuntários (sejam eles corretos e inteligentes ou falhos e inconsistentes) e nos estados alterados de consciência.</p>
<p>Definições concorrentes<br />
Visão determinista: Alguns entendem o inconsciente como ações inconscientes baseadas em informações do passado, experienciadas ou noticiadas.<br />
Visão reducionista: O inconsciente é entendido como um neologismo científico reducionista para não explicar ou negar os estados alterados da consciência.</p>
<p>Alterações da Consciência<br />
Alterações Normais: Sono (é um comportamento e uma fase normal e necessária. Tem duas fases distintas, que são: sono NÃO-REM e sono REM) e Sonho (vivências predominantemente visuais classificadas por Freud como um fenômeno psicológico &#8220;rico e revelador de desejos e temores&#8221;<br />
Alterações Patológicas: qualitativas e quantitativas.<br />
Qualitativas:<br />
- Rebaixamento do nível de consciência: compreendido por graus, está dividido em 3 grupos principais: obnubilação da consciência(grau leve a moderado - compreensão dificultada), sopor(incapacidade de ação espontânea) e coma(grau profundo - impossível qualquer atividade voluntária consciente e ausência de qualquer indício de consciência).</p>
<p>- Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível de consciência:</p>
<p>1. Delirium (diferente do &#8220;delírio&#8221;, é uma desorientação temporoespacial com surtos de ansiedade,além de ilusões e/ou alucinações visuais)</p>
<p>2. Estado Onírico (o indivíduo entra em um estado semelhante a um sonho muito vívido; estado decorrente de psicoses tóxicas, síndromes de abstinência a drogas e quadros febris tóxico-infecciosos)</p>
<p>3. Amência (excitação psicomotora, incoerência do pensamento, perplexidade e sintomas alucinatórios oniróides)</p>
<p>4. Síndrome do cativeiro (a destruição da base da ponte promove uma paralisia total dos nervos cranianos baixos e dos membros)</p>
<p>Quantitativas:<br />
1. Estados crepusculares (surge e desaparece de forma abrupta e tem duração variável - de poucas horas a algumas semanas)</p>
<p>2. Dissociação da consciência (perda da unidade psíquica comum do ser humano, na qual o indivíduo &#8220;desliga&#8221; da realidade para parar de sofrer)</p>
<p>3. Transe (espécie de sonho acordado com a presença de atividade motora automática e estereotipada acompanhada de suspensão parcial dos movimentos voluntários)</p>
<p>4. Estado Hipnótico (técnica refinada de concentração da atenção e de alteração induzida do estado da consciência)</p>
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		<title>Hipnose</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 19:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Hipnose é um estado mental (teorias de estado) ou um tipo de comportamento (teorias de não-estado) usualmente induzidos por um procedimento conhecido como indução hipnótica, o qual é geralmente composto de uma série de instruções preliminares e sugestões. O uso da hipnose com propósitos terapêuticos é conhecido como &#8220;hipnoterapia&#8221;.
Contudo, talvez a definição mais objetiva possível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hipnose é um estado mental (teorias de estado) ou um tipo de comportamento (teorias de não-estado) usualmente induzidos por um procedimento conhecido como indução hipnótica, o qual é geralmente composto de uma série de instruções preliminares e sugestões. O uso da hipnose com propósitos terapêuticos é conhecido como &#8220;hipnoterapia&#8221;.</p>
<p>Contudo, talvez a definição mais objetiva possível de hipnose seria a seguinte: alguém comanda (o hipnotista) e alguém obedece (o hipnotizado), geralmente de modo extremo ou pouco comum.</p>
<p>As pessoas que são hipnotizadas costumam relatar alterações de consciência, anestesia, analgesia, obedecendo e realizando os atos mais variados e extremos sob este pretenso estado.</p>
<p>Segundo Facioli (2006): &#8220;A hipnose, em termos mais estritamente descritivos, é o procedimento de sugestões reiteradas e exaustivas, aplicadas geralmente com voz serena e monotônica em sujeitos que algumas vezes correspondem às mesmas, realizando-as, seja no plano psicológico ou comportamental. Estes sujeitos responsivos também costumam relatar alterações de percepção e consciência durante a indução hipnótica. E em alguns casos respondem de modo surpreendente ao que lhes é sugerido, o que pode incluir, por exemplo, anestesia, alucinações, comportamento bizarro e ataques convulsivos.&#8221; (p.15)</p>
<p>Apesar das controvérsias que ainda cercam o tema, se os efeitos da hipnose são legítimos ou não, Facioli (2006) ressalta:</p>
<p>&#8220;Dado o impacto geralmente produzido em todos os envolvidos, sejam hipnotizados, hipnotizadores ou observadores, a hipnose é algo que merece atenção. Seja ela um fenômeno neurológico, psicológico ou de coação social, são válidas as tentativas sensatas e sinceras de compreendê-la. Mesmo que a hipnose seja simplesmente uma farsa, não há dúvidas de que por meio dela podemos compreender melhor o que é o ser humano, seu psiquismo, e sua relação com os outros de sua espécie.&#8221; (p. 16).</p>
<p>O termo &#8220;hipnose&#8221; (grego hipnos = sono + latim osis = ação ou processo) deve o seu nome ao médico e pesquisador britânico James Braid (1795-1860), que o introduziu pois acreditou tratar-se de uma espécie de sono induzido. (Hipnos era também o nome do deus grego do sono). Quando tal equívoco foi reconhecido, o termo já estava consagrado, e permaneceu nos usos científico e popular.</p>
<p>Contudo, deve ficar claro que hipnose não é uma espécie ou forma de sono. Os dois estados de consciência são claramente distintos e a tecnologia moderna pode comprová-lo de inúmeras formas, inclusive pelos achados eletroencefalógráficos de ambos, que mostram ondas cerebrais de formas, freqüências e padrões distintos para cada caso. O estado hipnótico é também chamado transe hipnótico.</p>
<p>Quem é susceptível de ser hipnotizado? Nem toda as pessoas são hipnotizáveis. Hilgard fez experiências com estudantes universitários e só 25% foram hipnotizáveis; e desses só ¼ entrou em transe profundo.</p>
<p>Os factores que interferem são:</p>
<p>Idade A susceptibilidade à hipnose aumenta até mais ou menos aos dez anos, depois diminui à medida que os indivíduos se tornam menos conformistas.</p>
<p>Personalidade</p>
<p>São mais susceptíveis as pessoas que tendem a envolver-se com as suas fantasias.<br />
São menos susceptíveis as pessoas que:<br />
Se distraem facilmente<br />
Têm medo do novo e diferente<br />
Revelam falta de vontade de obedecer ao hipnotizador<br />
Revelam falta de vontade de ser submissas.</p>
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		<title>livre associação</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 19:27:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sociedade de Psicanálise</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Dicionário de Psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[A livre associação foi um método utilizado por Freud, em substituição à hipnose, que consistia em deitar o paciente no divã e encorajá-lo a dizer o que viesse à sua mente, sendo também este convidado a relatar seus sonhos. Freud analisava todo o material que aparecesse, e buscava entendê-los e encontrar os desejos, temores, conflitos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>livre associação</strong> foi um método utilizado por Freud, em substituição à hipnose, que consistia em deitar o paciente no divã e encorajá-lo a dizer o que viesse à sua mente, sendo também este convidado a relatar seus sonhos<a title="Sonho" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonho"></a>. Freud analisava todo o material que aparecesse, e buscava entendê-los e encontrar os desejos, temores, conflitos, pensamentos, e lembranças que pudessem se encontrar, que estivessem além do conhecimento consciente do paciente.</p>
<p>O termo freudiano foi a inspiração do grupo que trabalha pelo diálogo entre arte, cultura e sociedade de forma a estimular seu exercício livre e dinâmico.</p>
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